terça-feira, 26 de maio de 2009

Vamos falar e escrever cada vez melhor?



10/07/2006 - Maria Rita Quintela

Falar e escrever bem ajuda na hora de uma promoção, na hora de arrumar emprego e até para conquistar namorado ou namorada.
O problema muitas vezes aparece na forma de uma simples brincadeira, mas os cientistas que estudam a comunicação entre as pessoas têm bons argumentos para questionar o emprego de termos como "certo" e "errado". Mas o fato é que a sociedade faz uma distinção clara entre ambos. O certo e o errado podem representar a diferença entre ser respeitado ou ridicularizado, parecer culto ou ignorante e, num mundo marcado pelas primeiras impressões. No mundo do trabalho, falar bem e escrever corretamente são os requisitos cada vez mais importantes para conseguir os melhores empregos.
· "Para os cargos mais baixos, esse fator não é levado muito em conta na hora da contratação".
· "Já para os níveis médios e altos, como gerência e diretoria , e mesmo nas vagas de trainee de empresas de grande porte, o português conta muitos pontos".
Além de dar uma idéia da origem do candidato, de sua familiaridade com o estudo e a leitura e de sua preocupação com a qualidade do que faz, em tempos de internet o bom português dos empregados ganhou novo valor.
"Grande parte da comunicação com o mercado, que antes era feita por telefone, hoje se dá por e- mail", exigindo mais cuidados. Dominar a língua traz outra vantagem. Transforma a pessoa numa espécie de consultor dos colegas de trabalho para as constantes dúvidas de português que vão surgindo na redação de cartas, projetos e apresentações. Falar e escrever sem erros é só um dos aspectos da língua portuguesa que as empresas valorizam. Elas querem também que seus funcionários saibam se expressar de forma simples e clara.
Atingir tal nível de competência no uso da língua não é tarefa simples que se ensine rapidamente ou por meio de regras fáceis de decorar. Falar e escrever bem é resultado de uma dedicação. Pode levar anos ou uma vida inteira. Mas existem algumas dicas que ajudam quem ainda não chegou lá. A principal é não se deixar intimidar pela chamada norma culta, que serve de referência para definir o certo e o errado. As pessoas imaginam que a língua é fruto de um congresso de sábios , que definiu como se deve falar e escrever. A língua se constrói conforme o uso e o que é considerado certo hoje, amanhã pode virar errado , e vice- versa.
Os especialistas afirmam também que ridicularizar ou corrigir demais pode acabar gerando novos erros. A preocupação excessiva em falar difícil para parecer mais culto também está na origem dos erros que viram moda. Corrigir as pessoas que falam errado pode ser uma atitude positiva, recomendada no caso de filhos, pessoas queridas ou subordinados que precisam comunicar-se corretamente. Mas há quem corrija não para melhorar o outro, mas porque gosta de se ver num patamar acima, em condição de superioridade. Tomar cuidado para não se transformar em alguém assim é também uma lição de bom português.
A verdade é que as pessoas finalmente perceberam que precisam dominar a norma culta do idioma. Quem não consegue articular pensamentos com clareza e correção tem um grande entrave à ascensão na carreira. As angústias dos brasileiros em relação ao português são de duas ordens. Para uma parte da população, a que não teve acesso a uma boa escola e, mesmo assim, conseguiu galgar posições, o problema é sobretudo com a gramática. Para o segmento que teve a oportunidade de estudar em bons colégios, a principal dificuldade é com a clareza. É para satisfazer principalmente a essa demanda que um novo tipo de profissional surgiu : o professor de português especializado em adestrar funcionários de uma empresa.
A dificuldade do brasileiro em falar e escrever de forma a se fazer entender não é apenas conseqüência da tradição bacharelesca. Há outros fatores. Para começar, lê-se pouco no Brasil.
A Câmara Brasileira do Livro divulgou um estudo que mostra que, na verdade, os brasileiros lêem em média apenas 1, 2 livros por ano. Não cultivar a leitura é um desastre para quem deseja expressar-se bem. Ela é condição essencial para melhorar a linguagem oral e escrita. Quem lê interioriza as regras gramaticais básicas e aprende a organizar o pensamento.
A julgar pela máxima do filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein - "os limites da minha linguagem são também os limites do meu pensamento", os brasileiros que tentam melhorar seu português estão também aprendendo a pensar melhor.
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Fonte: http://www.baguete.com.br/colunasDetalhes.php?id=2135 - Acesso realizado em 26 de maio de 2009, às 09 horas e 47 minutos.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Como colocar as idéias no papel?



Maria Rita Quintella - 10/08/2006

Começar... Este é o problema. Todos temos problemas para começar a redigir. Há problemas para a nossa inibição redacional, como:
1 – falta de hábito para escrever2 – vocabulário limitado3 – desordem de raciocínio4 – medo de errar
Redigir é como um trabalho braçal. É ensaio e erro. Lembram dos montes de folhas amassadas. Continua assim...
Por que as pessoas de gerações anteriores, mesmo aquelas com pouca escolaridade, redigem melhor dos que a das gerações atuais?
Porque escreviam mais. Havia mais estímulo ao ato de escrever. Estímulos que as comodidades da vida moderna nos fizeram perder...
Por exemplo, havia os “diários” – as mocinhas de então escreviam diários – não havia o psi – psiquiatra, psicanalista, psicólogo. Ao escreverem alguma coisa, lá estava o exercício do hábito de escrever.
Havia a correspondência – levava-se tempo para completar uma ligação telefônica, então as cartas levavam e traziam notícias. Hoje? Hoje dispomos do telefone, do celular, do e-mail - lacônicos e cifrados, sim porque mensagens de adolescentes é difícil de entendermos. Gastamos precioso tempo ali, naquele hieroglifo...Mas a comunicação oral também está em baixa.
E qual a solução? Escrever, escreve e escrever.
E quanto ao vocabulário limitado?
Pergunte algo para alguém. A pessoa pode até saber, mas a resposta não vem. Sabe aquele – Eu sei, mas não consigo explicar? Pois é: limitação de vocabulário. As idéias estão presentes, mas falta uma roupagem: as palavras porque ninguém lê.
Muitos até lêem. Mas não estão ligadas na forma, no desenho da palavra – daí escreverem errado. É lógico que tem de se preocupar com o conteúdo, mas sem perder a forma de vista...
Qual a solução? Ler, ler e ler.
Desordem de raciocínio
O que nos impede de produzir bons textos: a falta ou o excesso de idéias? O excesso. Idéias nunca faltam. O caso é que temos idéias e não sabemos como organiza-las. Aí, surge o caos.
Quantas vezes ficamos lutando com uma correspondência sem conseguir redigi-la, pois as idéias parecem nunca dizer o que queremos? E quantas vezes queremos dizer uma coisa e vem outra, ou enviamos a correspondência e depois vemos que ficou faltando alguma coisa ou repetimos, repetimos e não era o que queríamos dizer àquele leitor?
Solução? Três.
Escrita automática – Escrever tudo o que vem á cabeça, sem preocupação de lógica, correção das palavras. Depois, é o momento de separar o que vale e o que não vale: selecionar. Nas primeiras vezes, é possível que se produza lixo, mas com o tempo a tendência é que haja aperfeiçoamento. Tudo leva à ordenação automática das idéias.
Tempestade de idéias (brain storm) – Esta forma é usada pelas equipes de produção de textos. O grupo se reúne e cada um dá uma idéia sobre o tema. As idéias são anotadas – por mais estapafúrdias que sejam - . No final, são selecionadas as idéias mais interessantes. Funciona em trabalhos de grupo – até de um “grupo de dois”.
Mapa mental – Melhor técnica para a redação individual de textos. Coloca-se tudo o que for pensando na tela – ou no papel - . Depois, são feitos os devidos “cortes” e – pronto – o roteiro está pronto.
E quanto ao medo de errar?
A escola nos incutiu a falsa idéia de que escrever bem é escrever gramaticalmente bem. Como a pessoa não conhece gramática a fundo, escreve pouco porque assim vai errar menos. Como você escreve pouco, vai errar mais e nunca terá segurança para escrever...
Se a gramática fosse a base para uma redação perfeita, o bom professor seria um excelente escritor – e não teríamos gênios, como o compositor Cartola, por exemplo, que mal assinava o próprio nome.
Solução?
Ao escrever, não pense na gramática. Escreva, simplesmente. Não pare para pensar se determinada palavra é com sou ç ou ss, se há vírgula ou não... Escreva como achar que é. Depois revise com o auxílio de um dicionário. Mas não pense em escrever e pensar na gramática ao mesmo tempo, pois aí nem você escreve errado nem certo. Simplesmente não escreve.

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Fonte: http://www.baguete.com.br/colunasDetalhes.php?id=2167 - Acesso realizado em 06 de maio de 2009, às 11 horas e 11 minutos.

Principais problemas da redação empresarial



Maria Rita Quintella - 19/07/2006

Na empresa, a escrita é coletiva, isto é, você não escreve em seu próprio nome, mas em nome da companhia para a qual trabalha. Por isso, deve pensar não em "eu", mas em "nós". Mesmo na comunicação interna, você deve considerar que se trata da empresa interagindo verbalmente com seus funcionários.
Apenas alguns relatórios ou notas serão assinados por você correspondendo a um compromisso pessoal, mas a maioria dos documentos diz respeito à empresa e exigem que você respeite os posicionamentos da companhia diante dos fatos relativos à correspondência, porque você está transmitindo uma mensagem no lugar de outrem - , sua empregadora.
Isso exige de você um esforço duplo: ao mesmo tempo em que você precisa apropriar-se da mensagem, colocando-se no lugar do locutor real, você não pode se esquecer do interlocutor, da outra empresa, preocupando-se com o modo como ela pensa, a forma como ela vai reagir ao conteúdo do texto produzido por você e enviado por sua empresa.
É preciso lembrar ainda que o texto empresarial não reflete apenas o trabalho de quem o redigiu, ele reflete toda a empresa. É por isso que uma carta mal escrita, rasurada, mal formatada, sem clareza nem correção, por exemplo, representa uma empresa pouco confiável. Daí a importância de você se preocupar com a clareza, concisão e correção ao redigir em nome de sua empresa, a fim de evitar uma imagem negativa dela.
Mitos e verdades sobre redação empresarial:MITO: você deve usar linguagem formal erudita.VERDADE: você deve usar linguagem formal, mas simples.MITO: você deve apresentar todas as informações.VERDADE: você deve apresentar apenas as informações pertinentes.MITO: as pessoas querem ler seu documento.VERDADE: as pessoas prefeririam fazer outra coisa.
DICAS:
Você deve usar linguagem simplesOs textos que circulam no meio empresarial, normalmente, têm uma função prática; eles não são construídos para comover o leitor, nem para distraí-lo, mas para informá-lo a respeito de um tema específico. Por isso, use uma linguagem formal, correta do ponto de vista gramatical, mas direta, recorrendo a palavras do dia-a-dia, que facilitam da compreensão do leitor.
Você deve apresentar apenas as informações pertinentesUm texto longo, cheio de detalhes, desvia a atenção do leitor dos pontos mais importantes e não atinge seu real objetivo. Tenha em mente o que pretende com o documento e atenha-se às informações pertinentes a seus objetivos.
As pessoas prefeririam fazer outra coisaA vida empresarial exige muito de todos os envolvidos nela. Em função disso, não sobra muito tempo para leituras extensas. Além disso, o leitor de um documento que circula na área empresarial nem sempre conhece o autor do texto e pouco interesse tem no texto; lê porque precisa ler, não porque quer. A leitura de uma correspondência obriga o leitor a interromper seu trabalho. Se ela não for direto ao assunto, o leitor a arquiva ou a descarta. Por isso, não se estenda e seja direto.
SEIS ESTRATÉGIAS PARA CHAMAR A ATENÇÃO DO LEITOR:- Apresente o ponto principal no início. Assim, o objetivo do documento fica claro desde o princípio*; - Utilize subtítulos descritivos, eles orientam a leitura do documento; - Seja claro, a falta de clareza compromete a compreensão de seu texto; - Escreva com frases curtas, elas são fáceis de processar; - Empregue palavras simples, elas são facilmente compreendidas; - Utilize uma diagramação “arejada”, ela valoriza o seu texto.

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Fonte: http://www.baguete.com.br/colunasDetalhes.php?id=2145 - Acesso realizado em 06 de maio de 2009, às 11 horas e 06 minutos.

Um bom texto



Maria Rita Quintella

O que é um bom texto para você? Uma página, duas, três com começo, meio e fim? Pode ser, mas obrigatoriamente tem de transmitir com clareza uma mensagem entendida pelo autor e pelos leitores, pois se apenas o autor entender, não há comunicação.
Para transmitir o que se quer dizer, a mensagem, o texto precisa de qualidades tais como clareza, argumentação bem-definida, fatos ou dados ilustrativos do assunto e novas idéias, novas opiniões sobre o tema. Tudo com clareza gramatical e estilo.
É difícil, pois um texto envolve processos mentais, é preciso saber sobre o que se escreve e que se está escrevendo não para si mesmo, mas para outro. Por isso a lógica é fundamental.
Sabemos que nem sempre o pensamento segue um encadeamento lógico. Pensamos e desenvolvemos raciocínios muitas vezes por livre associação, passamos de um assunto para outro com uma facilidade muito grande. E quem nos lê não pode acompanhar nosso pensamento.
Além do que, nem sempre o leitor vai concordar com o que pensamos e dizemos, com o que concluímos.
Para sermos mais bem-entendidos, nosso texto tem de ter introdução, onde apresentamos o assunto, desenvolvimento, onde, como o nome diz, o texto é desenvolvido, com prós e contras e uma conclusão, a qual “fecha” nossa introdução.
Um bom exercício para escrever com coerência é ler, ler, ler. Sobretudo observar a estrutura de introdução, desenvolvimento e conclusão de alguns autores e mentalmente refazer aquele caminho.

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Fonte: http://www.baguete.com.br/colunasDetalhes.php?id=2114 - Acesso em 06 de maio de 2009, às 11 horas e 01 minuto.

Comunicação formal e informal. Qual a diferença?


A comunicação informal é aquela que não é oficial. Diz-se também, comparando entre uma e outra: "comunicação oficial e oficiosa". A comunicação informal não tem compromisso com a entidade, que através de um de seus prepostos divulgou uma informação. A comunicação formal é a comunicação expressa, normalmente, por escrito ou divulgada na mídia.

Como estimular a comunicação “face a face”?


Patrícia Bispo

Muitas empresas já passaram por grandes dificuldades e até mesmo "fecharam as portas" por não saberem lidar com determinados momentos de crise. E isso, por sua vez, ocorreu porque parte dessas organizações deixaram de lado um fator indispensável à sobrevivência no mundo corporativo: a existência de uma comunicação interna clara e acessível aos colaboradores.
Hoje, comunicar bem se tornou um dos fatores indispensáveis para quem deseja manter-se competitivo e acompanhar os constantes processos de mudanças. Dentre as alternativas de comunicação corporativa, apesar dos avanços tecnológicos, uma continua sendo utilizada e dificilmente será deixada de lado - a comunicação "face a face", onde as pessoas reforçam a chance de proximidade, de integração. Confira logo abaixo, algumas considerações que certamente fortalecerão a comunicação interna na sua empresa.

Presença da liderança
1 - A participação dos líderes é indispensável na comunicação face a face. Afinal, são eles que estão constantemente com as equipes e têm a oportunidade de conhecer a personalidade, as competências e o potencial de cada profissional.
2 - É fundamental contar com a colaboração dos líderes nesse processo. A presença do líder na comunicação "face a face" dá mais credibilidade à informação repassada aos colaboradores, além de ser uma forma de valorizar o funcionário uma vez que ele está diante do porta-voz oficial da empresa.
3 - Através do líder, a possibilidade de surgirem rumores ou boatos que prejudiquem a organização diminui, já que os colaboradores tomam conhecimento das "novidades", através de uma fonte confiável e que representa a empresa.
Na prática
1 - A comunicação "face a face" é viável para todo tipo de organização, pois é rápida, eficaz e barata, já que não exige investimento como outros canais que disseminam informações. Pode ser realizada em grupo ou com apenas um profissional, quando a situação exigir.
2 - Para incorporar a "face a face" adquira o hábito de promover reuniões periódicas entre líderes e liderados, com tempo de duração determinado. Em 15 minutos, é possível realizar um processo eficaz.
3 - Nos encontros, onde serão repassadas informações aos colaboradores é preciso que alguém conduza o processo e a pessoa mais indicada a exercer esse papel é o líder.
4 - Prepare um roteiro antecipadamente. Para que a comunicação seja eficaz, o líder deve conhecer o assunto que será apresentado. Isso permite agilidade e torna o contato mais estimulante.
5 - Saber escutar é tão relevante quanto o ato de falar. Por isso, reserve alguns minutos para que os participantes tenham a chance de apresentarem dúvidas, sugestões e críticas.
6 - Se no momento do encontro não for possível dar um feedback ao grupo, em relação a determinada questão, assegure que isso ocorrerá na próxima oportunidade.
7 - Mesmo que um encontro seja aparentemente "rápido", é possível que o gestor identifique a visão dos profissionais em relação às práticas adotadas pela empresa.

Relacionamento interpessoal
1 - Dentre as vantagens da comunicação "face a face" está a oportunidade de estreitar a distância entre as pessoas e de se fortalecer o relacionamento interpessoal.
2 - Uma vez estimulado o relacionamento interpessoal, consequentemente a capacidade de dar e receber feedback, de se criar uma relação de confiança entre as pessoas tende a aumentar.
3 - O relacionamento interpessoal possibilita ainda que as pessoas pratiquem o discurso e tenham coerência na apresentação das suas ideias e sugestões ligadas ao dia-a-dia corporativo.
O comportamental
Existe um velho ditado que diz: "O que os olhos não vêem, o coração não sente". Essa "afirmação" é extremamente válida no meio corporativo. A comunicação "face a face" permite que:
1 - Seja observado o clima organizacional.
2 - A presença ou não do espírito de equipe ou de camaradagem entre os profissionais.
3 - O grau de integração entre os membros de uma equipe.
4 - A existências de conflitos.
5 - Identificação de determinados comportamentos como, por exemplo: assertividade, criatividade, tendência à liderança, flexibilidade, resistência a mudanças, entre outros.


Palavras-chave: comunicação interpessoal
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Fonte: http://www.rh.com.br/ - Acesso realizado em 06 de maio de 2009, às 10 horas e 40 minutos.
O que é um portfolio?

Um portfolio é uma amostra significativa do trabalho do estudante que revela o seu progresso, esforço e realizações.
Constitui uma selecção, feita pelo estudante, dos melhores trabalhos ou produtos por si realizados, documentação das experiências de trabalho relacionadas com as finalidade e objectivos do curso e evidência do processo de aprendizagem, crescimento e desenvolvimento.
Reúne não só os produtos finais mas também a evidência do processo continuado de reflexão e tomada de decisão ao longo de todo o percurso.
Este conjunto de elementos evidencia o processo de auto-reflexão e implica participação do estudante na selecção de conteúdos, na identificação dos critérios para selecção e avaliação


Portfolio – porquê?

Os portfolios enriquecem o processo de avaliação porque (i) revelam um conjunto de competências, (ii) ajudam a clarificar objectivos de aprendizagem, (iii) encorajam a reflexão de todos os intervenientes, (iv) reflectem a evolução ao longo do tempo e (v) favorecem a continuidade de um ano para o outro.
A sua utilização encoraja a aprendizagem autónoma, promove a metacognição, evidencia o progresso em direcção aos resultados esperados, relaciona de forma positiva aprendizagem e avaliação, estimula sentimento de auto-eficácia , proporciona oportunidades de ajuda e crescimento mútuos.


Quais são as características de um portfolio bem conseguido?

O processo de construção do portfolio caracteriza-se por:
§ Ser contínuo e permanente pelo que fornece oportunidades tanto formativas como sumativas de monitorizar o progresso
§ Ser multidimensional e como tal reflectir uma larga variedade de artefactos e processos ilustradores dos diferentes aspectos do processo de aprendizagem
§ Fornecer oportunidades de reflexão conjunta e colaborativa, incluindo formas de os estudantes reflectirem sobre os seus próprios processos de cognição e metacognição uma vez que fomenta formas de os alunos se debruçarem sobre a sua aprendizagem, as suas abordagens de resolução de problemas e tomada de decisão e formas de (auto-)observação da emergência de conhecimentos e competências.

Apesar de haver várias abordagens de desenvolvimento, a investigação e literatura sobre portfolios reforça a importância das seguintes características:
§ Reflecte claramente os resultados identificados no currículo como essenciais;
§ Centra-se numa aprendizagem ligada à acção e à experiência dos estudantes e na aquisição de novos conhecimentos, competências e atitudes;
§ Contém exemplos do trabalho do estudante ao longo do tempo e não apenas em períodos determinados;
§ Contém trabalhos que representam uma variedade de diferentes instrumentos de avaliação;
§ Contém as reacções/avaliações de todos os intervenientes (estudantes, colegas, professores, etc.)


Que diferentes tipos de portfolio existem?

Portfolio de documentação
Também conhecido como ‘portfolio de trabalho’ envolve a selecção de trabalhos ao longo do tempo mostrando crescimento e aperfeiçoamento e reflectindo a forma como são atingidos os objectivos de aprendizagem/resultados esperados. Pode incluir tudo desde actividades de brainstorming a rascunhos e produtos acabados. Esta recolha torna-se significativa quando são singularizados alguns dos itens de modo a realçar determinadas experiências ou objectivos educativos. Pode incluir os trabalhos melhores e o mais fracos.
Portfolio de processo
Documenta todas as fases do processo de aprendizagem e é particularmente útil para fornecer uma visão de conjunto sobre o processo de aprendizagem. Pode mostrar como o estudante integra determinados conhecimentos ou competências e progride para diferentes níveis de apropriação. Este tipo de portfolio coloca ênfase na reflexão que o aluno faz sobre o seu próprio processo de aprendizagem, pelo que inclui ‘diários de aprendizagem’ e outras formas de evidenciar processos metacognitivos.

‘Showcase’ Porfolio
É a melhor alternativa quando se pretende uma avaliação sumativa. Deve incluir os melhores trabalhos, seleccionados quer pelo estudante quer pelo professor. Só inclui trabalhos acabados. Este tipo de portfolio é também particularmente compatível com o desenvolvimento de artefactos audio-visuais, incluindo fotografia, videogramas, registos electrónicos do trabalho. Deve ainda incluir análises e reflexões críticas que ilustrem os critérios de selecção dos trabalhos seleccionados.

Quais são as fases de desenvolvimento do portfolio?

Fase 1 – Organização e planeamento

A fase inicial do portfolio implica tomada de decisão da parte dos estudantes e dos professores. É necessário começar por colocar algumas questões essenciais logo no início do processo, de modo a que todos compreendam a finalidade do portfolio e o seu papel na monitorização e avaliação do seu próprio progresso. Algumas das questões-chave serão:
§ Como seleccionar tempos e materiais de modo a reflectir o que vou aprendendo?
§ Como organizar e apresentar os items, materiais, etc., que recolhi?
§ Como manter e arquivar o portfolio?

Fase 2 – Recolha de elementos

Este processo envolve a recolha de produtos e artefactos que se consideram significativos e reflectem as experiências e objectivos dos alunos. Será necessário tornar clara a finalidade do portfolio e, em função disso, tomar algumas decisões quanto ao seu contexto e conteúdos. A recolha e selecção de artefactos e produtos deve basear-se numa variedade de factores que podem incluir:
§ Conteúdos específicos
§ Processo de aprendizagem
§ Projectos, temas ou unidades especiais
Todos os materiais seleccionados para o portfolio devem reflectir claramente os critérios identificados para a avaliação.

Fase 3 – Reflexão

Sempre que possível deve haver prova das reflexões metacognitivas dos estudantes sobre o processo de aprendizagem e a monitorização da sua evolução a nível do conhecimento e competências chave. Esta reflexão pode tomar a forma de ‘diários de aprendizagem’ ou ‘notas de reflexão’ que são testemunhos de reflexão sobre a experiência, os processos de reflexão usados, as competências mobilizadas em determinados momentos específicos ou ao longo de períodos mais alargados. Os portfolios podem também incluir os comentários e reflexões dos professores e outros intervenientes sobre os produtos ou processos documentados no portfolio.


Que critérios de avaliação dos portfolios?
Os portfolios permitem avaliar de forma diferente dos métodos tradicionais, nomeadamente ao alargar o contexto e o leque de situações que são objecto de atenção. Os critérios de avaliação podem incluir:
§ Diversidade de entradas (por exemplo, uso de diferentes formatos e produtos que demonstrem a aquisição de competências)
§ Relação entre os processos evidenciados e os produtos apresentados e as finalidades, os objectivos e as competências enunciados pelo curso
§ Correcção e adequação dos processos e produtos apresentados
§ Níveis de reflexividade, incluindo capacidade de monitorização do seu próprio processo de evolução, reflexão meta-cognitiva e auto-avaliação

Será especialmente importante que os professores e estudantes trabalhem em conjunto de forma a definir os critérios prioritários a usar como base de avaliação, tanto no aspecto formativo (regulação ao longo do curso) como sumativo (culminar do processo, níveis e standards a atingir).
Formadores e estudantes deverão trabalhar em conjunto de forma a identificar os artefactos e processos mais significativos, a ‘capturar’ no portfolio, assim como a melhor forma de o organizar. Também a especificação de indicadores e dos diferentes níveis de consecução exigidos deverão resultar de uma discussão conjunta.


(Paulson, F.L., Paulson, P.R. & Meyer, C.A. (1991). What makes a portfolio a portfolio? In Educational Leadership, February issue, pp 60-63.
George, P. S. (1995). What is portfolio assessment really and how can I use it in my classroom? Gainesville, FL: Teacher Education Resources.

Este documento resulta da tradução e adaptação de
http://www.pgcps.pg.k12.md.us/~elc/portfolio.html

Fonte: www2.eb23-pacos-ferreira.rcts.pt/site_crie/moodle/portfolio_1.doc - Acesso realizado em 06 de maio de 2009, às 10 horas e 25 minutos
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